O processo de recuperação judicial da SAF Botafogo ganhou uma atualização importante na lista de credores. A nova relação, divulgada nesta segunda-feira pela 2ª Vara Empresarial da Comarca Central da Capital do Estado do Rio de Janeiro, não inclui mais a GDA Luma — empresa do mexicano Gabriel de Alba e nova investidora da SAF alvinegra. Anteriormente, a companhia era a segunda maior credora da lista; com a remoção, o cálculo do valor total da dívida sujeita à recuperação judicial passou de R$ 1,286 bilhão para cerca de R$ 1,163 bilhão.
O movimento tem relação direta com o acordo firmado entre as partes. Em 5 de junho deste ano, Botafogo e GDA Luma assinaram um acordo vinculante de investimentos na SAF. Para cumprir o protocolo do investimento assinado, há um caminho específico a ser seguido, uma vez que o clube está em recuperação judicial. Os aportes são feitos por meio de uma modalidade de empréstimo chamada DIP — a sigla em inglês para “financiamento ao devedor na posse”, um tipo de crédito concedido a empresas que estão passando por esse processo — e precisam receber autorização do administrador judicial, do juiz e do Ministério Público. Como registrado no relatório mensal da recuperação, os valores aportados via DIP podem ser quitados pela conversão dos créditos em ações — o que explica a saída da GDA Luma da relação de credores.
Quem são os maiores credores do clube
A nova lista apresentada pelos administradores judiciais da SAF Botafogo reúne 384 credores. Desse total, 190 são chamados de quirografários — credores cuja dívida não possui garantia, como penhor, sobre os bens do devedor. Há ainda 38 dívidas trabalhistas e 156 credores enquadrados como microempresa e empresa de pequeno porte. No topo da relação, aparece o Atlanta United, dos Estados Unidos, com aproximadamente R$ 124 milhões a receber pela transação de Thiago Almada, seguido pelo Nottingham Forest, da Inglaterra, com R$ 119,7 milhões pela negociação de Danilo. Fechando o top 3, a liga americana Major League Soccer, com R$ 74,3 milhões a receber pela transação entre Botafogo e New York City FC envolvendo Santi Rodríguez.
A movimentação ocorre em um momento-chave do processo. Em setembro, o Botafogo fez acordo com a MLS como parte do caminho prévio à Assembleia Geral de Credores — a reunião em que quem tem dinheiro a receber aprova ou não o plano de pagamento. Na prática, a saída da GDA Luma da lista de credores sinaliza um avanço na estruturação do investimento: ao converter parte dos créditos em participação acionária, a nova investidora deixa de figurar como credora e o passivo do clube diminui — um passo que aproxima a SAF de um quadro mais enxuto de dívidas às vésperas da fase decisiva do processo.
Fonte: ge.Globo.



