O meia Nenê, de 45 anos, está à frente de um grupo de investidores interessado em comprar a Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do Botafogo-PB — o mesmo clube que defende dentro de campo desde janeiro deste ano. As conversas iniciais já foram abertas com Fillipe Félix, atual proprietário da SAF do Belo, que recentemente revelou estar disposto a negociar as ações que adquiriu em 2025. O grupo liderado pelo camisa 10 é um dos três principais parceiros que vêm sendo contemplados pelo empresário na eventual venda.
As tratativas, porém, ainda estão em estágio inicial, e os valores para a conclusão do negócio ainda não foram definidos. No modelo que vem sendo desenhado, Nenê seria o principal responsável por conduzir o futebol do Alvinegro da Estrela Vermelha nas próximas temporadas. Aos 45 anos e caminhando para o fim da carreira nos gramados, o jogador ainda não definiu se vai pendurar as chuteiras ao término da participação do time na Série C deste ano — mas, caso o negócio seja concretizado, a tendência é que ele se aposente para assumir a nova função administrativa, além dos compromissos no PSG Legends e outras atividades empresariais. A possibilidade de seguir atuando como atleta, se a proposta for aceita, é considerada remota.
De liderança em campo a símbolo da reestruturação fora das quatro linhas
Nenê chegou ao Botafoco-PB em janeiro e logo caiu nas graças da torcida. Foi o grande nome do time no título do Campeonato Paraibano, competição que o clube não conquistava desde 2019, e seguiu em alta na Série C, onde é o artilheiro da equipe, com sete gols e cinco assistências. Na soma da temporada, são dez gols e seis assistências em 31 jogos com a camisa do Belo. O desempenho individual, porém, não impediu a queda de rendimento do clube na terceira divisão: o time liderou a primeira fase, mas caiu no quadrangular final e, no momento, depende de uma combinação de resultados para não adiar mais uma vez o acesso à Série B.
Além da força dentro de campo, Nenê pode se tornar um símbolo da reestruturação do clube fora das quatro linhas. O veterano se adaptou bem à cidade de João Pessoa e enxerga potencial no projeto — um atrativo que pesa a seu favor é a dívida do clube, considerada baixa para os padrões do futebol nacional, mesmo com o Botafogo-PB completando 13 temporadas seguidas na terceira divisão. Do outro lado, o atual proprietário, que detém 90% das ações da SAF, avalia o cenário com cautela: questionado sobre a participação de Nenê no grupo, Fillipe Félix afirmou que um fundo de investidores é formado por várias pessoas e não descartou a presença do camisa 10 nas tratativas.
Desde que a SAF assumiu o controle, o Botafogo-PB passou por investimentos importantes, como a reforma do CT da Maravilha do Contorno e contratações de impacto para a realidade do clube — além do próprio Nenê, chegaram também os técnicos Antônio Carlos Zago, Lisca e Marcelo. O investimento inicial previsto era de R$ 300 milhões ao longo de 15 temporadas, e algumas mudanças já saíram do papel. Pontos sensíveis, porém, seguem em aberto: o clube está sem categoria de base firmada e chegou a desativar o futebol feminino — pautas que certamente voltarão à discussão a partir do próximo ano.
Na prática, a negociação em curso une dois capítulos da história recente do Belo: o ídolo da torcida, que transformou a campanha do clube dentro de campo, e a sucessão na gestão da SAF, com o proprietário atual sinalizando abertura para novos sócios. Se o negócio avançar, Nenê trocaria os gramados pela sala de reuniões, assumiem evidência — e que ainda sonha em voltar a disputar a Série B depois de mais de uma década.
Fonte: CNN Brasil; ge.Globo.



