O Cuiabá quitou integralmente a dívida de aproximadamente R$ 5,5 milhões com o técnico português Petit e sua comissão técnica, referente à condenação determinada pela Fifa. Em nota oficial divulgada nesta quinta-feira (15), o clube confirmou o pagamento e aproveitou para cobrar providências sobre valores que afirma ter a receber de outras equipes do futebol brasileiro. Com a quitação, está encerrado o transfer ban — a restrição imposta pela Fifa que impede um clube de registrar novos atletas enquanto dívidas comprovadas permanecem em aberto — que pesava sobre o Dourado.
O caso tem origem na saída de Petit do comando técnico do Cuiabá, em agosto de 2024, quando o treinador deixou o cargo após uma reunião com a diretoria. O contrato tinha validade até 31 de dezembro de 2025. Em agosto deste ano, o clube confirmou que havia sofrido a punição da Fifa por causa da dívida — e, na ocasião, o presidente Cristiano Dresch atribuiu a situação aos valores que o clube aguardava receber de outras equipes brasileiras. “O Cuiabá não teria chegado a essa situação se não fosse os calotes que sofremos do Corinthians, do Santos, do Grêmio e do Atlético-MG. Como que um clube que tem mais de R$ 42 milhões a receber passa por essa situação? Vou dar um jeito de pagar”, declarou o dirigente à época.
R$ 45 milhões a receber e crítica ao modelo de punições
De acordo com o comunicado, o montante pago ao Petit foi honrado com recursos próprios e comprometeu de forma significativa o caixa do clube em 2026 — dinheiro que, na avaliação da diretoria, poderia ter sido destinado ao elenco profissional, às categorias de base e à estrutura da instituição. A diretoria também voltou a cobrar medidas para receber valores pendentes: segundo a nota, o Cuiabá tem cerca de R$ 45 milhões a receber por negociações já concluídas e não pagas. Entre as operações envolvendo clubes citados estão a transferência do volante Raniele para o Corinthians, a negociação do zagueiro Joaquim Henrique com o Santos — que posteriormente vendeu o jogador ao Tigres, do México — e a operação envolvendo o meia Pepê e o Grêmio. A nota, porém, não detalha quais transações compõem os cerca de R$ 45 milhões cobrados nem os valores pendentes em cada uma delas.
Na avaliação apresentada pelo clube, as regras atuais podem gerar obrigações financeiras elevadas e comprometer o planejamento das equipes — e o Cuiabá defendeu a revisão desse modelo junto às instâncias competentes e às entidades do futebol. O resultado, no caso cuiabano, foi um caixa comprometido para honrar uma condenação cuja origem, segundo a diretoria, está em receitas que não chegaram.
Nota oficial do Cuiabá
Cuiabá quita integralmente a condenação do caso Petit e cobra respeito às regras do futebol brasileiro
O Cuiabá Esporte Clube SAF informa que concluiu o pagamento integral dos valores devidos ao treinador Petit e à sua comissão técnica, em cumprimento à decisão proferida pela FIFA. Com isso, a restrição de registro de atletas imposta ao Clube está encerrada.
O valor pago, de aproximadamente R$ 5,5 milhões, foi honrado com recursos próprios e esforço dos acionistas. Não foi uma decisão fácil. Esse montante comprometeu de forma severa o caixa do Clube em 2026 e equivale a recursos que deixaram de ir para o elenco, para as categorias de base e para a estrutura que o torcedor cuiabano merece.
O Cuiabá não questiona o dever de cumprir decisões. Cumpre, como sempre cumpriu. Mas não pode deixar de registrar que as circunstâncias do encerramento daquela relação de trabalho, marcadas por manifestações contraditórias sobre a própria permanência, são conhecidas de quem acompanhou o dia a dia do Clube naquele período. Ainda assim, a conta recaiu inteiramente sobre a instituição.
Esse episódio expõe um problema que vai além do Cuiabá. A legislação desportiva brasileira, especialmente a Lei Geral do Esporte, obriga o clube a pagar integralmente os salários restantes do contrato em caso de rescisão antecipada, sem levar em conta o tempo de serviço, o desempenho ou as circunstâncias da saída. Na prática, um contrato de poucos meses pode gerar uma conta de anos. Esse modelo pune a gestão, desequilibra competições e coloca em risco a sobrevivência financeira de clubes que trabalham com responsabilidade. O Cuiabá defenderá, nas instâncias competentes e junto às demais entidades do futebol, a revisão desse modelo.
Fonte: ge.Globo; Instagram do Cuiabá.



