A JTA International Investment Holding, empresa do Catar, apresentou uma proposta inicial e não vinculativa para ficar com os créditos dos principais credores do Boavista — ou seja, para assumir a posição de quem tem direito a receber as dívidas do clube. O objetivo é entrar no processo pela via da dívida e contribuir para uma solução que garanta o futuro do clube do Bessa. Comprar o Estádio do Bessa não faz parte do plano. A informação foi avançada pelo jornal Sol e confirmada junto aos responsáveis do clube pelo zerozero e pelo Jornal de Notícias.
A operação funciona assim: ao comprar os créditos, a empresa catari passaria a ocupar o lugar dos atuais credores na mesa de negociação, ganhando peso decisivo no processo de insolvência — o procedimento judicial em que um tribunal organiza a relação entre uma instituição que não consegue pagar o que deve e aqueles a quem ela deve. Uma proposta não vinculativa, por sua vez, é uma declaração preliminar de interesse: sinaliza a intenção, mas ainda não obriga nenhuma das partes a fechar o negócio. O intuito do grupo seria, assim, uma recuperação de longo prazo do histórico clube do Porto — conhecido pela alcunha de “Panteras” —, que carrega uma dívida de 96 milhões de euros e está em processo de insolvência.
Plano rejeitado, estádio vendido e um relógio que corre até 31 de outubro
O interesse catari surge em um momento decisivo. Na assembleia de credores de 7 de outubro, o plano de recuperação apresentado pela diretoria foi rejeitado — e, na mesma sessão, foi aprovada a venda do Estádio do Bessa e do seu complexo por 33 milhões de euros à empresa alemã Frozen Spark. A administração da insolvência tem até o final de outubro para renegociar com os credores o plano rejeitado, e é exatamente aí que a proposta da JTA pode pesar. O tribunal decretou o encerramento do clube para o fim do mês, mas os credores hipotecários — aqueles que emprestaram tendo o patrimônio, como o estádio, como garantia — aceitaram, na reunião de 7 de outubro, manter a atividade aberta enquanto houver negociação em curso. No dia seguinte, houve uma nova rodada na prefeitura do Porto, com o prefeito Pedro Duarte e os credores hipotecários à mesa.
Visita ao Bessa e uma diretoria que não trata o fechamento como irreversível
Nos bastidores do interesse, há um sinal concreto: o fundador da JTA International Investment Holding, Amir Ali Salemi Zadeh, esteve há cerca de duas semanas na cidade do Porto e visitou o Estádio do Bessa, acompanhado por Rui Garrido Pereira, presidente do Boavista. Garrido Pereira segue negociando com os credores e não dá o fechamento como irreversível — em contraste com o que a administradora de insolvência comunicou por e-mail às modalidades, as demais seções esportivas do clube. Não seria a primeira reabertura: as portas do Boavista já tinham fechado em julho. A diretoria tem até 31 de outubro para encontrar uma solução que garanta a continuidade da instituição, conforme o prazo estabelecido pelo tribunal. O próprio clube reconheceu a dificuldade do cenário, mas garantiu que continuará negociando com as partes envolvidas.
Na prática, o quadro desenha um mês decisivo para um dos clubes mais tradicionais de Portugal: o estádio já tem comprador definido pela assembleia, o plano de recuperação precisa ser renegociado até o fim de outubro, e a entrada de um investidor estrangeiro disposto a assumir os créditos — sem tocar no estádio — pode reorganizar completamente o tabuleiro. Se a proposta catari avançar, os atuais credores deixariam de ser os interlocutores principais, e a palavra final sobre a sobrevivência do clube passaria por novas mãos. Até lá, o Boavista segue aberto — e negociando.
Fonte: Dia de Jogo; SAPO; Jornal de Notícias.


