O cenário financeiro do futebol nacional em 2026 revela um contraste profundo entre o crescimento das receitas e a persistência de passivos bilionários. De acordo com o mais recente Relatório Convocados, elaborado pela Convocados Gestão e Futebol com apoio da Galápagos Capital, apenas três clubes — Atlético-MG, Botafogo e Corinthians — respondem por quase metade de toda a dívida líquida das equipes da Série A. Juntas, essas instituições acumulam um débito que representa 43% do total do setor, evidenciando um desequilíbrio estrutural que desafia as gestões mesmo em um ano de faturamentos recordes.
O time mineiro encabeça a lista com impressionantes R$ 2,632 bilhões em dívidas (eram R$ 2,324 bilhões em 2024), valor que em parte é explicado pelo custo de construção da Arena MRV. Mesmo caso do Corinthians, que tem embutidos nos seus R$ 2,466 bilhões devidos o custo da Neo Química Arena. Já no Botafogo, a situação é ainda mais grave. Com potencial de geração de receita limitado, o clube foi o maior vendedor de atletas no ano passado e, ainda assim, a sua dívida total saltou de R$ 1,649 bilhão para R$ 2,525 bilhões, sendo o segundo colocado nesse ranking.

Gestão de custos e a pressão por competitividade imediata
Especialistas em finanças esportivas, como o consultor César Grafietti, atribuem essa concentração de dívidas a modelos de gestão que priorizaram o investimento agressivo em elencos em busca de títulos, muitas vezes sem a contrapartida de receitas recorrentes suficientes. No caso de Atlético-MG e Botafogo, a transição para o modelo de Sociedade Anônima do Futebol (SAF) permitiu aportes de capital e renegociações de prazos, mas o estoque da dívida herdada do período associativo permanece como um fardo pesado sobre o fluxo de caixa das empresas.
O Corinthians, que ainda opera sob o modelo associativo tradicional, enfrenta o desafio de gerir esse passivo sem o aporte imediato de um investidor majoritário, dependendo da renegociação direta com credores e do aumento de suas receitas operacionais. O relatório enfatiza que a solução para esses três clubes não virá a curto prazo, exigindo anos de disciplina fiscal, conformidade com as novas regras de governança e, possivelmente, novas rodadas de capitalização para evitar que o custo da dívida asfixie a capacidade de investimento no futebol.
Fonte: Lance.



