A diretoria do clube social do Botafogo prepara a convocação de uma reunião do Conselho Deliberativo para apresentar e votar as propostas oficiais de aquisição de sua Sociedade Anônima do Futebol (SAF). No momento em que a associação caminha para encerrar de forma pacífica sua relação com a Eagle Football Bidco, três interessados formalizaram ofertas para assumir o controle acionário do futebol alvinegro: o empresário norte-americano John Textor, a gestora GDA Luma e o fundo de investimentos MasterCom Capital. Embora os valores apresentados sejam distintos, todas as propostas compartilham o compromisso de estabelecer um projeto esportivo de longo prazo e sustentável, afastando a perspectiva de uma revenda rápida do clube.
A proposta considerada favorita e mais robusta nos bastidores é a da GDA Luma, avaliada em US$ 105 milhões (cerca de R$ 531 milhões), além do compromisso de quitação de passivos por meio do processo de Recuperação Judicial. O endividamento total da instituição atinge R$ 2,5 bilhões, dos quais R$ 1,28 bilhão está sujeito aos efeitos da RJ. O aporte financeiro da GDA seria realizado de forma parcelada e envolve o perdão de um empréstimo de US$ 25 milhões contraído durante a gestão de John Textor, o que reduz o aporte líquido direto na SAF para US$ 80 milhões (R$ 405 milhões). Liderada pelo mexicano Gabriel de Alba, a GDA Luma é uma empresa sediada em Nova York e Miami especializada em distressed assets (reestruturação de ativos sob estresse financeiro) e projeta investimentos imediatos no futebol profissional, na infraestrutura e nas categorias de base.
Garantias financeiras e projetos de expansão dividem atenções dos conselheiros
Paralelamente à oferta da GDA, John Textor oficializou uma proposta de recompra do controle do futebol alvinegro no valor de até US$ 95 milhões (aproximadamente R$ 480 milhões). A engenharia financeira desenhada pelo empresário depende de financiamentos externos, de um eventual acordo com a gestora Ares — pivô de sua saída da Eagle Football Holdings Bidco — e de um fundo de contingência. Diante disso, o clube social solicitou que Textor apresentasse garantias formais sobre a origem e a disponibilidade desses recursos. No entanto, o empresário perdeu sustentação política interna nos últimos meses, e a diretoria associativa manifesta preferência por outras alternativas de mercado.
A terceira via é representada pela MasterCom Capital, fundo de investimentos sediado no Texas com escritórios em São Paulo, Miami, Genebra e Cascais. Intermediada por um sócio-proprietário com trânsito na associação, a empresa oficializou uma proposta inicial de US$ 30 milhões (R$ 151 milhões) ao presidente João Paulo Magalhães Lins. Representantes do fundo sinalizaram a disposição de cobrir ofertas concorrentes e apresentaram projetos de grande porte, como a construção de um estádio próprio e investimentos para recolocar o time na disputa pelos principais títulos do continente. Contudo, a cúpula do clube social avalia a MasterCom como uma instituição menos consolidada no mercado de reestruturações corporativas quando comparada à GDA Luma, cuja trajetória de seu fundador transmite maior segurança para a transição de gestão.



