O planejamento financeiro do Atlético para o curto prazo passou por um ajuste de cronograma, mas mantém o objetivo central de estancar a saída de recursos para o pagamento de dívidas bancárias. O CEO do clube, Pedro Daniel, confirmou que o aporte financeiro liderado pelos acionistas majoritários, Rubens e Rafael Menin, deve ser concretizado em um prazo de até 40 dias. Inicialmente, a projeção era de que os valores fossem liberados até o fim de março, mas o processo de negociação com as instituições financeiras estendeu o prazo original.
O investimento previsto gira entre R$ 500 milhões e R$ 520 milhões. O destino principal desse capital será a liquidação de boa parte da dívida bancária do clube, que atualmente está na casa dos R$ 600 milhões. A urgência da operação se justifica pelo alto custo do carregamento desse débito: apenas no ano passado, o Atlético desembolsou R$ 250 milhões exclusivamente para o pagamento de juros, valor que a gestão considera insustentável para a saúde operacional do futebol.
Estratégia de saneamento e foco na competitividade
A dívida bancária é apontada como o maior gargalo financeiro atual, com taxas de juros que chegam a 15% ao ano. Ao quitar ou reduzir drasticamente esse passivo, o clube projeta liberar recursos que hoje são consumidos pelo sistema financeiro para investir diretamente no departamento de futebol, visando a contratação de atletas e o aumento da competitividade da equipe em campo.
Diferente do passivo bancário, outras frentes de endividamento do Atlético são tratadas com maior tranquilidade pela diretoria:
- Dívida da Arena: Vinculada ao Certificado de Recebíveis Imobiliários (CRI), é considerada uma operação estruturada que se paga com as receitas geradas pelo próprio estádio, como bilheteria e programas de sócio-torcedor.
- Dívida Tributária: Grande parte já está refinanciada e possui um perfil de pagamento alongado, não exercendo pressão imediata sobre o caixa.
O atraso na execução do aporte é atribuído à complexidade das negociações com os bancos para a liberação dos recursos, um trâmite considerado natural em operações desse porte dentro do modelo de Sociedade Anônima do Futebol (SAF).
Mudança na estrutura acionária e situação de Daniel Vorcaro
A nova injeção de capital provocará uma alteração relevante na composição societária da SAF atleticana. Pelo modelo de governança estabelecido, para que um acionista mantenha sua porcentagem de participação, ele precisa acompanhar proporcionalmente os novos aportes realizados. Como a família Menin será a responsável pelo investimento atual, os demais sócios que não aportarem recursos terão suas fatias diluídas.
Este é o caso de Daniel Vorcaro, que detém 20,2% das ações da SAF. O banqueiro, dono do Banco Master, não acompanhará o novo investimento. Vorcaro já havia sido afastado do Conselho de Administração da SAF após sua prisão em 17 de novembro do ano passado.
A detenção de Vorcaro ocorreu no âmbito da Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de crimes como gestão fraudulenta, organização criminosa e emissão irregular de títulos de crédito. O empresário já havia integralizado R$ 300 milhões em aportes anteriores, mas agora perderá espaço decisório e representatividade acionária diante do novo movimento financeiro liderado pelos controladores majoritários.
Fonte: No Ataque.



