O América-RN anunciou, na última segunda-feira (12), a saída de Vítor Arteiro da função de CEO — o executivo-chefe — da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do clube potiguar. O profissional estava no cargo há cerca de dois anos, desde outubro de 2024, quando chegou ao alvirrubro para substituir Pedro Weber, o primeiro CEO da empresa. A saída do comando executivo, porém, não representa um desligamento do clube: Arteiro passa a ocupar a Diretoria Financeira, área em que ficará responsável pelo planejamento financeiro, pelo acompanhamento das contas e pela organização dos recursos da SAF. Ao longo de seu período como CEO, o dirigente participou de um processo de fortalecimento das estruturas do América, com investimentos em infraestrutura, modernização de processos e desenvolvimento do futebol profissional e das categorias de base.
SAF de R$ 174 milhões e a busca por um novo formato de comando
A movimentação acontece no âmbito de um projeto societário que completa seu terceiro ano. O América-RN se tornou SAF em 2023, após a aprovação da venda de 80% das ações do futebol do clube para o grupo Hipe Capital, em uma operação que prevê investimentos de R$ 174 milhões ao longo de 20 anos. A associação manteve os 20% restantes — ou seja, o modelo adotado foi o de parceria, em que o investidor controla a empresa do futebol profissional, mas o clube associativo preserva uma fatia minoritária. No campo esportivo, a troca de comando ocorre após eliminações na Série D, a quarta divisão do futebol brasileiro, o que pressionou os resultados da gestão. À época do primeiro anúncio, a expectativa era a de um terceiro CEO em três anos de gestão empresarial — cenário que, dias depois, mudou de rumo: em vez de um novo nome para o cargo, o clube optou por uma reestruturação mais profunda do modelo de administração.
Sem novo CEO: cargo é extinto e conselho de investidores passa a supervisionar quatro diretorias
O América SAF terá um novo modelo de administração para a temporada de 2027. Durante entrevista coletiva realizada nesta quinta-feira (15) no auditório da Arena das Dunas, o próprio Vítor Arteiro explicou que a principal alteração será a substituição da figura do diretor-presidente por um conselho de investidores, responsável por supervisionar quatro diretorias criadas após a extinção do cargo de CEO: Futebol, Financeira, Operacional e Comercial. “Esse corpo diretivo responderá a um conselho de investidores, que substituirá a figura do diretor-presidente”, explicou o dirigente, ao apresentar a nova estrutura. Neste novo cenário, o conselho estará mais próximo do clube e acompanhará os trabalhos de forma mais direta, como a instância superior de administração.

A reformulação, segundo Arteiro, foi definida após dois meses de avaliação da estrutura administrativa e busca distribuir melhor as responsabilidades dentro da empresa que administra o futebol alvirrubro. Ao justificar a mudança, o dirigente afirmou que a administração não interrompeu suas atividades depois da eliminação na Série D: o período foi utilizado para identificar falhas, rever procedimentos e estabelecer um formato considerado mais adequado aos objetivos de 2027. A nova divisão já tem três nomes definidos: a Diretoria de Futebol passará ao comando de Edson Palomares, Arteiro responderá pela Diretoria Financeira e a Diretoria Operacional ficará sob a responsabilidade de Larissa Carvalho — faltando definir apenas o nome da Diretoria Comercial. O ex-CEO reconheceu que essa escolha exige atenção especial, principalmente porque a SAF pretende melhorar o relacionamento com seus torcedores e ampliar a aproximação com o mercado consumidor. “A gente quer trazer a pessoa certa. A pessoa que vai cumprir aquilo que eu prometi diversas vezes e que talvez não tenha tido tanto êxito assim, que é essa aproximação com os clientes”, afirmou.
Arteiro, que esteve à frente da gestão executiva do América nos últimos dois anos, ressaltou que a mudança não representa um afastamento das decisões administrativas, mas uma reorganização do modelo de gestão adotado desde a constituição da sociedade anônima do futebol, em 2023. O ex-diretor-presidente também apresentou um balanço de sua passagem pelo comando executivo, ressaltando os investimentos na infraestrutura, a profissionalização dos processos internos e os títulos estaduais conquistados. Reconheceu, entretanto, que deixou o cargo sem alcançar a principal meta esportiva da gestão: o acesso à Série C do Campeonato Brasileiro.
Na prática, o caso do América-RN ilustra uma tendência que o mercado das SAFs acompanha de perto: a busca por estruturas de governança menos dependentes de uma figura central. Ao extinguir o cargo de CEO e transferir a supervisão a um conselho de investidores, o clube potiguar distribui a responsabilidade entre quatro diretorias especializadas — um desenho que reduz o risco de vácuo de comando em eventuais trocas e aproxima o controle acionário da operação diária. O desafio agora será provar que a nova arquitetura consegue entregar o que a anterior não entregou: o acesso à Série C.
Fonte: Portal Diário do RN; BNews; Tribuna do Norte.



