O Santos chegou nesta terça-feira (13) à marca de sete transfer bans sofridos na Fifa, conforme consta no site oficial da entidade máxima do futebol. O Peixe já somava diversas punições por conta de dívidas com o técnico português Pedro Caixinha e seus três auxiliares — comissão técnica contratada em 2025 que cobra mais de R$ 15 milhões do Alvinegro Praiano. E o número pode crescer: o clube pode sofrer mais uma punição e chegar ao oitavo bloqueio por conta do não pagamento do empréstimo do atacante gambiano Yusupha Njie. Contratado em 2024 junto ao Al-Markhiya, do Catar, com contrato até 2025, o atleta foi devolvido pelo clube brasileiro — e a dívida com os catarianos é de R$ 2,2 milhões. O processo ocorre atualmente na Corte Arbitral do Esporte (CAS), que referendou a decisão da Fifa de aplicar a sanção.
Para quem acompanha de fora, o transfer ban é o mecanismo pelo qual a Fifa impede um clube de registrar novos jogadores enquanto uma dívida comprovada não é quitada. O quadro santista, porém, tem movimentação nos dois sentidos: o clube já pagou as dívidas que geraram três das sanções — referentes ao mecanismo de solidariedade da entidade em relação aos atletas Álvaro Barreal, Benjamín Rollheiser e João Basso — e espera que esses bloqueios sejam derrubados nos próximos dias. Ainda assim, outros quatro débitos seguem abertos, envolvendo Caixinha e membros de sua comissão técnica, e novas punições são esperadas em breve — uma delas justamente a do caso Njie, em que o Santos já foi condenado em última instância.

Perda de pontos: risco existe, mas não para já
Com o acúmulo de bloqueios, cresce entre os torcedores a preocupação com outras punições. Afinal, o Santos pode ser punido com a perda de pontos — ou até com sanções mais graves? Especialistas em direito esportivo explicam que há risco de penas mais severas, mas não tão cedo. “O artigo 21 D do Código Disciplinar da Fifa prevê que, em caso de ofensas repetitivas e de persistência na ofensa — que normalmente é quando o clube toma o transfer ban e não paga, mesmo cumprindo três janelas sem contratar —, a Fifa pode determinar sanções mais pesadas”, explica o advogado André Ribeiro. No caso do Santos, porém, isso só aconteceria em 2028.
Um caminho diferente, contudo, já foi trilhado pela própria Fifa recentemente: a entidade determinou que o São Paulo perderá pontos no Brasileirão caso não quite, em até 60 dias, uma dívida com o empresário do meia Giuliano Galoppo — decisão que atendeu a um pedido do agente. “Não existe nenhum critério objetivo para isso, fica totalmente discricionário por parte da Fifa, ela pode determinar uma punição maior, como a perda de pontos, de acordo com o que o Tribunal da entidade achar adequado. Não existe uma regra do tipo: você teve três, quatro, cinco transfer bans acumulados e, então, tem uma perda de pontos”, comenta Ribeiro. O precedente mais conhecido no futebol brasileiro é o do Cruzeiro, que perdeu seis pontos no início da Série B de 2020 por determinação da entidade. À época, porém, ainda não estava em vigência a regra da Fifa que estabelece o transfer ban como primeira punição — e, como reforça Rodrigo Marrubia, advogado especialista em direito desportivo do Carlezzo Advogados, o Peixe só deve receber punições mais severas se passar três janelas de transferência sem quitar as dívidas.
Caixa apertado
Com juros, multas e correções, as quatro condenações envolvendo Pedro Caixinha e seus auxiliares totalizam mais de R$ 15 milhões. A diretoria alvinegra trabalha para conseguir recursos e argumenta que, assim como deve a outros clubes, também tem valores a receber de outras instituições: nas contas da direção, o Santos tem R$ 170 milhões a receber de outras equipes do futebol brasileiro.
A dependência de aportes externos para destravar o mercado, aliás, já ficou evidente na última janela. Em agosto, para conseguir fechar com reforços como o meia Philippe Coutinho, o lateral Rodinei e o atacante Everton Cebolinha — além do volante Arthur —, o Santos quitou uma dívida de R$ 12 milhões com o Monaco, da França. O dinheiro veio a partir de uma negociação com a NR Sports, empresa de Neymar Pai.
Na prática, o Santos vive um ciclo em que cada débito não pago se transforma em um novo bloqueio — e cada bloqueio restringe o planejamento esportivo do clube. A margem para punições maiores existe, mas, pelos critérios explicados pelos especialistas, depende menos do número de bans acumulados e mais da persistência da inadimplência ao longo das próximas janelas.



