O São Paulo sofreu um novo transfer ban da Fifa e está impedido de registrar novos jogadores. A punição foi aplicada nesta sexta-feira (2) por uma dívida com um agente do meia Giuliano Galoppo, que defendeu o clube entre 2022 e 2025. O valor é de US$ 300 mil — cerca de R$ 1,5 milhão. Ainda não se sabe a qual empresário se referem os valores que motivaram a punição: atualmente, Galoppo é agenciado pela Team Raiola, mas, na época em que foi contratado pelo São Paulo, seu representante era Leandro Escudero.
O meia argentino foi contratado em julho de 2022 junto ao Banfield, da Argentina, por um custo total de cerca de US$ 6 milhões — aproximadamente R$ 32 milhões na cotação da época —, incluindo taxas e comissões. Pelo São Paulo, Galoppo disputou 60 jogos e marcou dez gols. Em 2025, foi emprestado ao River Plate e, no fim do ano, cedido em definitivo ao clube argentino, numa operação que envolveu as contratações do lateral-esquerdo Enzo Díaz e do atacante Gonzalo Tapia. Atualmente, o meia defende o Atlanta United, dos Estados Unidos.
Segunda punição da temporada e a lição de julho
Este é o segundo transfer ban que o São Paulo sofre na temporada. Em julho, o clube foi punido pelo atraso no pagamento da primeira parcela de € 1,05 milhão — cerca de R$ 6,08 milhões na cotação atual — pela compra dos direitos do meio-campista Marcos Antônio junto à Lazio, da Itália. Na ocasião, o clube quitou a pendência no início de agosto e conseguiu derrubar a punição, chegando a contratar seis jogadores na última janela de transferências: o atacante Victor Sá, o volante Newton, os laterais Aurélio Buta e Iago Borduchi, o zagueiro Domingos Duarte e o lateral-direito Pedro Lima.
Agora, a situação se repete por um caminho parecido: uma dívida com um intermediário da negociação de Galoppo. Conforme o calendário da CBF, a próxima janela de transferências abre no início de janeiro de 2027 — o que dá ao São Paulo uma margem de alguns meses para resolver a pendência antes que o bloqueio de registros volte a atrapalhar o planejamento do elenco. Na prática, o clube repete o roteiro vivido em julho: a punição só cai quando a dívida é quitada, e o histórico recente mostra que o São Paulo conseguiu reverter o cenário anterior ao pagar o que devia. A pergunta que fica é se a regularização virá com a mesma agilidade desta vez.
Atualizaçao em 06/10/2026 – Decisão da Fifa prevê dedução de seis pontos caso a dívida não seja paga em 60 dias
O São Paulo corre o risco de perder pontos no Brasileirão caso não pague os agentes de Galoppo e mantenha o transfer ban imposto pela Fifa por 60 dias. A punição foi aplicada na última sexta-feira, e o valor da dívida é de US$ 300 mil — cerca de R$ 1,5 milhão. Um transfer ban por dívida não gera automaticamente perda de pontos, mas a cláusula de dedução está expressa na decisão da entidade. O motivo pode ter sido um pedido do reclamante, que leva em consideração o histórico de problemas financeiros do clube.
O Código Disciplinar da Fifa prevê a possibilidade de perda de pontos em casos de descumprimento persistente, reincidência ou infrações graves — mas a medida não é consequência automática de um transfer ban. Para casos de inadimplência persistente, a entidade cita como parâmetro a permanência do clube sob proibição de registros por mais de três janelas inteiras e consecutivas. Essas sanções estão previstas no artigo 21 do Código Disciplinar, que trata do descumprimento de decisões da Fifa e estabelece as medidas aplicáveis a clubes que não cumprem obrigações financeiras determinadas pela entidade. Além do transfer ban, o dispositivo permite o agravamento da punição, inclusive com perda de pontos ou rebaixamento, em casos de reincidência ou infrações graves.
E é justamente nesse ponto que o São Paulo se enquadra: nesta temporada, o clube sofreu dois transfer bans da Fifa — o atual, relacionado à dívida com os agentes de Galoppo, e outro pelo atraso no pagamento à Lazio pela contratação de Marcos Antônio, quitado em agosto. A inclusão da dedução de pontos, portanto, aumenta a pressão para que o clube quite a dívida dentro do prazo estabelecido e evite o agravamento da punição.
O prazo de 60 dias seria completado no dia 2 de dezembro, data da última rodada do Brasileirão, e a decisão da Fifa prevê a perda de até seis pontos em caso de descumprimento. O São Paulo ocupa atualmente a 11ª posição, com 36 pontos. Em um cenário hipotético, caso a dedução de seis pontos fosse aplicada nesta rodada, a equipe cairia para a 16ª colocação, apenas um ponto à frente do Grêmio, primeiro clube dentro do Z-4 — a zona de rebaixamento. A diretoria, porém, está confiante em quitar a pendência ainda nesta semana e entende que há condições favoráveis para realizar o pagamento.
Uma delas é o fato de o transfer ban ter sido aplicado fora da janela de transferências, o que evita que o clube tenha de dividir seu fluxo de caixa entre compromissos relacionados a novas contratações e a quitação da dívida. Outro ponto é o acordo com a Ticketmaster, que prevê um adiantamento de R$ 110 milhões em até 45 dias e deve aliviar o fluxo de caixa do clube.
Fonte: ge.Globo; ge.Globo 2.



